10/03/2008
 
Programa apoiará MPE a exportar mais e com maior freqüência

Esse é objetivo do Programa de Internacionalização de Micro e Pequenas Empresas, que o Sebrae lançará em abril

 

Marcelo Araújo

Incentivar micro e pequenas empresas a exportar e a se manter de forma sustentável no mercado externo. Esse é um dos objetivos do Programa de Internacionalização de Micro e Pequenas Empresas, que o Sebrae deve lançar em abril.

O Programa também irá trabalhar para que a internacionalização das micro e pequenas empresas esteja presente no cotidiano desses empreendimentos, em tempos em que a competição com empresas vindas de fora acontece não apenas no exterior, mas dentro do próprio País.

O estudo "As Micro e Pequenas Empresas na Exportação Brasileira - Brasil e Estados - 1998 - 2006", encomendado pelo Sebrae à Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) e divulgado nesta segunda-feira (10), servirá como instrumento de apoio à internacionalização de micro e pequenas empresas e traz informações importantes sobre o segmento, como o número de MPE exportadoras, os produtos por elas vendidos e os principais destinos de suas mercadorias. O documento foi desenvolvido com base nos registros das empresas exportadoras da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O levantamento informa que ainda é baixa a quantidade de empresas de micro e pequeno porte que vendem para o exterior. Menos de 13 mil MPE exportam em um universo de aproximadamente três milhões que atuam no mercado brasileiro. "Existem poucas empresas exportando valores relativamente baixos, porém a situação ainda é melhor do que nos anos 90", avalia Fernando Ribeiro, técnico da Funcex.

Fernando Ribeiro aponta alguns fatores como responsáveis pela queda das micro e pequenas empresas nas estatísticas de exportação. Um dos principais, segundo ele, se relaciona ao câmbio, por conta da valorização do real e queda do dólar. "As micro e pequenas enfrentam mais dificuldades para lidar com a situação cambial. As grandes empresas conseguem se manter exportando mesmo com prejuízo, para não perder mercados, até que o câmbio se torne mais favorável", explica.

Planejamento

O técnico da Funcex acentua que há um grande número de MPE que desistem de exportar ou o fazem apenas esporadicamente, muitas vezes por conta das turbulências no mercado internacional. "As crises sempre vão existir, só que as grandes empresas realizam um planejamento para administrar e superar esses problemas", aponta. "As micro e pequenas muitas vezes tomam decisões sem planejamento e orientação, o que prejudica a sua gestão", completa.

Fernando destaca o papel de instituições como o Sebrae e a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil) para capacitar e ajudar as empresas em seus processos de gestão, para que elas desenvolvam produtos competitivos e inovadores.

Outro apoio importante que pode ser dado às MPE, conforme Ribeiro, é permitir o acesso de informações aos empresários sobre exigências da legislação - em especificações como embalagens, etiquetas, questões ambientais - e a respeito do que busca o consumidor dos países para onde se pretende exportar.

Ribeiro acredita que é fundamental focar políticas nas empresas que exportam e resgatar para essa atividade outras MPE que venderam para o exterior em algum momento. "Também é necessário identificar empresas com potencial exportador e apoiá-las para que possam vender seus produtos", acrescenta Magaly Albuquerque, analista técnica da Unidade de Gestão Estratégica do Sebrae Nacional.

Realidades regionais

Raissa Rossiter, gerente da Unidade de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, diz que o Programa de Internacionalização das Micro e Pequenas Empresas tem como um dos objetivos fazer com que as empresas que comecem a exportar dêem continuidade a esse processo. Hoje, mil empresas de Arranjos Produtivos Locais apoiados pelo Sistema Sebrae exportam.

Segundo Raissa Rossiter, o estudo que o Sebrae divulga com base em dados da Secex, aponta em que setores das MPE é necessário concentrar mais esforços. "O Programa leva em conta elementos como as realidades regionais das MPE e não trabalha com soluções padronizadas", enfatiza. "Nas regiões Norte e Nordeste, onde as micro e pequenas exportam menos, não podemos promover o mesmo modelo de ações que em estados como os do Sul e Sudeste, nos quais já existe uma rotina bem maior de exportação", explica.

Conforme o estudo do Sebrae, as exportações das micro e pequenas empresas brasileiras se concentram essencialmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, onde estão quase 95% das MPE exportadoras, responsáveis por 82% do valor total vendido pelo segmento no exterior.

Somente São Paulo reúne 47% das empresas de micro e pequeno porte que exportam, seguido do Rio Grande do Sul (16,2%), Minas Gerais (8,6%), Santa Catarina (7,7%), Paraná (7,6%) e Rio de Janeiro (6,2%). O Espírito Santo participa com apenas 1,7% do total. Na região Norte, o estado mais representativo em termos de exportação é o Pará, com 1,9% do total brasileiro. No Nordeste destacam-se o Ceará (1,4%) e a Bahia (1,2%).

"Esses resultados, inclusive, estão em linha com a sondagem realizada pelo Sebrae em 2007 junto às empresas que participam de Arranjos Produtivos Locais apoiados pelo Sistema", ressalta Emanuel Malta, analista do Sebrae Nacional.

A gerente de Acesso a Mercados, Raissa Rossiter, assinala que o processo de internacionalização deve contemplar micro e pequenas empresas não apenas nos mercados externos, mas em seus próprios territórios de origem e atuação. "Precisamos ajudar as empresas a reagir à competição internacional aqui mesmo no Brasil, pois hoje muitas empresas multinacionais competem diretamente com as MPE dentro do País, como é o caso de grandes redes de supermercado", alerta Raissa.

 
 
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