A pesquisa tem como finalidade desenvolver uma metodologia de classificação de micro e pequenas empresas. Glauco já havia anunciado sua intenção em realizar esse trabalho em evento do Sebrae em novembro.
"Essa metodologia pretende montar um mapa da evolução das micro e pequenas empresas, com o levantamento de fatores que dificultam o desenvolvimento e levam à mortalidade das empresas", explica o pesquisador. Segundo Glauco Arbix, no Brasil os índices de mortalidade são conhecidos, mas é preciso identificar setores e áreas mais atingidos.
O professor da USP considera a Califórnia, estado norte-americano onde desenvolverá sua pesquisa até março, uma ótima área para avaliação e observação do desenvolvimento de empresas, da infra-estrutura que elas dispõem e de como operam. "Ali está o coração da indústria de informática e é onde se localiza o Vale do Silício, berço de empresas que começaram há cerca de 15 anos e se tornaram gigantes como o Google, a Microsoft, a Oracle e a Cisco", exemplifica.
Dinâmica das micro e pequenas empresas
Arbix aponta o papel cada vez mais importante dos negócios de micro e pequeno porte no cenário internacional, particularmente nos países de maior desenvolvimento econômico. "É importante compreender as micro e pequenas empresas não apenas como geradoras de emprego e como complementares em atividades das grandes corporações. Faz-se necessário compreender a dinâmica das micro e pequenas empresas nas economias contemporâneas baseadas no conhecimento", observa.
O coordenador do Observatório da Inovação declara que os países estão sendo levados a olhar mais atenciosamente para as micro e pequenas empresas porque elas são mais arrojadas ao inovar do que as companhias maiores. "As grandes têm mais a perder e, para defender suas posições no mercado, tendem a ser mais conservadoras. As micro e pequenas agem com maior ousadia no desenvolvimento de seus produtos e processos".
O professor lembra que das 500 maiores empresas norte-americanas, mais de 60% não existiam há 25 anos e têm raízes nos pequenos negócios. Arbix afirma que com uma dinâmica diferenciada essas novas empresas bateram companhias com cem anos de história. "Muitas dessas empresas surgiram nas universidades, em incubadoras, como fruto do apoio à pesquisa", diz o especialista.
Glauco Arbix assinala que inovação e tecnologia não estão necessariamente juntas. Para ele, muitas micro e pequenas empresas inovam porque trabalham de forma mais madura conhecimentos já produzidos por outras empresas. "Exceção às empresas do setor de tecnologia, grandes laboratórios de pesquisa são mais característicos das grandes do que das micro e pequenas empresas", compara.
Esforço conjunto
O professor acredita que a inovação precisa estar mais presente no universo das micro e pequenas empresas brasileiras. "No País, muitas empresas apostam em se manter no mercado pagando baixos salários e com baixa qualidade dos produtos", diz. "Normalmente esses empreendimentos não se desenvolvem e em algum tempo vão à asfixia", comenta.
Segundo ele, empresas que apostam na inovação apostam justamente em pagar melhores salários, em investir na qualidade de vida de seus funcionários e em aprimorar seus produtos. Glauco destaca a necessidade de as empresas investirem em produtos mais sofisticados para penetrar em mercados como Europa, Japão e Estados Unidos.
Glauco Arbix vê a necessidade de um grande esforço articulado do Poder Público nas esferas municipal, estadual e federal junto com universidades, instituições privadas e entidades como o Sebrae para promover a inovação, qualificar as empresas e identificar setores e produtos com possibilidades de gerar inovação e competitividade.
"A biotecnologia é exemplo de uma área em que a conjunção de vários esforços trouxe grande desenvolvimento a um setor científico no Brasil. É preciso deflagrar um grande pacto nacional pela inovação", defende. |