26/03/2009
 

Pernambuco na rota da expansão


Projetos estruturadores ancoram crescimento do estado, que se transforma em alvo potencial de futuros empreendedores
 

Pernambuco certamente está nos planos de empresas brasileiras que desejam expandir seus negócios neste ano. Além de projetos estruturadores que ganham visibilidade em todo país, o aumento do salário mínimo e a entrada da classe C no mapa do consumo fazem com que o estado seja um alvo em potencial dos empreendedores. Levantamentos realizados no fim do ano passado por consultorias locais apontam para um considerável aumento da renda familiar pernambucana até 2020, o que implica num acréscimo notável na procura por alimentos, transporte, vestuário, habitação, entre outros. Cientes do potencial do estado no cenário atual, micro, pequenos e médios empreendedores já alertaram para a necessidade de investir em profissionalismo e gestão para conquistar uma parte deste mercado promissor.

De acordo com o Sebrae, micro-empresa é aquela que tem até 19 pessoas ocupadas, na indústria, e até 9, no setor de comércio e serviços. Já pequena empresa é a que tem entre 20 e 99 pessoas, na indústria, e de 10 a 49 ocupadas nossegmentos de comércio e serviços. Partindo dessa definição, os especialistas creem que as micro e pequenas empresas saem na frente numa temporada de crise. A vantagem operacional, segundo eles, decorre da mobilidade de ação e da agilidade da gestão, na medida em que estes empreendimentos operam com baixo investimento e usufruem da proximidade entre a direção e os trabalhadores (decisão e execução). Características que permitem que estas micro-empresas representem um peso significativo no número total de empreendimentos produtivos, em Pernambuco e no Brasil, bem como no percentual de empregos gerados.

"Os grandes empreendimentos locais (estaleiro, refinaria, Transnordestina) não conseguem produzir todo o material de que precisam para trabalhar. Eles dependem dos pequenos fornecedores. Só para se ter uma ideia, Suape está precisando de 800 soldadores urgentemente e está a procura de alguém que os forneça", citou o diretor superintendente do Sebrae em Pernambuco, Nilo Simões. Para ele, a capacitação profissional é a palavra-chave para o novo empreendedor. Simões aponta ainda os setores logístico, petroquímico, naval e de produtos reciclados como os de melhores expectativas para os próximos anos no estado.

Em 2004, Pernambuco possuía um total de 118.533 micro e pequenas empresas representando cerca de 2,4% dos empreendimentos de pequeno porte do Brasil e de 99% do total das empresas pernambucanas. Deste total, 62% correspondiam a atividades comerciais, 24% eram classificadas como serviços e 14% estavam no setor industrial. De acordo com o IBGE, o número de micro-empresas em Pernambuco cresceu uma média de 8% ao ano, entre 1996 e 2003, e o número de pequenas registrou neste mesmo período um crescimento de 7,2% ao ano.

"As empresas que fizeram um estudo prévio do que o mercado queria consumir buscaram recursos de uma maneira negociada, consultaram especialistas e investiram em tecnologia de ponta estão despontando no cenário atual", acredita José Tarcísio da Silva, presidente da Federação das Associações de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Femicro) e da Confederação Nacional da Microempresa (Comicro). De acordo com ele, em épocas de recessão econômica, grandes negócios são realizados. "A crise força as pessoas a saírem da zona de conforto e focar na criatividade. A astúcia na maioria das vezes acaba beneficiando", lembra.

 
voltar