28/09/2007
 
Sindicalizados em micro e pequenas são menos de 10%
Para o presidente da Confederação Nacional das Entidades das Micro e Pequenas Empresas do Comércio e de Serviços, José Tarcísio da Silva, os números apenas confirmam o que ele diz sentir na pele.
 

Os sindicatos esqueceram de incluir os trabalhadores de micro e pequenas empresas com público-alvo de suas ações. É o que se pode inferir dos dados do Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa 2007, um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a pedido do Sebrae e que será apresentado hoje, em São Paulo, pelo presidente da entidade, Paulo Okamotto.

Segundo o levantamento, em 2005, apenas 8,7% dos comerciários estavam ligados a algum sindicato e 9,8% dos trabalhadores no setor de serviços eram associados a entidade sindicais. "Atingir micro e pequenas empresas é um trabalho dobrado e especializado. É bem mais fácil os sindicatos chegarem até as grandes empresas", explica João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical. "É importante conseguir aumentar esse número. Não podemos esquecer que ela representa uma parcela significativa da sociedade", reconhece.

Para o presidente da Confederação Nacional das Entidades das Micro e Pequenas Empresas do Comércio e de Serviços (Conepec), José Tarcísio da Silva, os números apenas confirmam o que ele diz sentir na pele, "Não nos sentimos representados pela maioria dos sindicatos", diz. "O dissídio coletivo, por exemplo, é altamente desigual", completa. Para Juruna, alcançar este público requer uma dinâmica diferente, porque as necessidades dos trabalhadores não são as mesmas daqueles que estão empregados em grandes empresas. "A negociação nesse segmento é diferente assim também como suas características econômicas", conta. "Por isso, as estratégias são mais voltadas a colaboração com o patronato, como foi o caso da aprovação da Lei Geral, quando estivemos juntos pela mudança da lei".

Juruna acredita é importante oferecer a esses trabalhadores serviços assistenciais. Alguns sindicatos já fazem isso, como é o caso das costureiras, da construção civil e dos metalúrgicos que tem programas específicos para essas pequenas empresas.

Em São Paulo, o sindicato dos comerciários adotou uma prática própria. Desde 2003, o seu presidente, Ricardo Patah, colocou nas ruas 80 'amarelinhos', funcionários que vão de porta em porta nos pequenos comércios passar informação sobre o sindicato e oferecer serviços.

"A maioria deles tem dificuldade para conseguir algum tipo de assistência médica, odontológica e até dificuldade para estudar", diz Patah. O sindicato também implantou subsedes na periferia. "Posso afirmar que 60% dos nossos associados são trabalhadores de micro e pequenas empresas".

 
voltar