24.03.2009  
 

Gestão é arma para o crescimento


Em vez de recorrer a medidas mais tradicionais e negativas, empreendedor deve voltar-se cada vez mais para realidade do seu negócio
 

Cortar drasticamente os custos, demitir funcionários, reduzir investimentos. Os reflexos negativos da crise econômica global aparecem todos os dias desde setembro do ano passado. Porém, há um grupo de empresários que tem encontrado outras soluções para os problemas criados pelas turbulências dos mercados internacionais. Em vez de reduzir gastos, otimizaram suas despesas. No lugar de dispensar, capacitaram seus empregados para obter uma maior produtividade. E ao contrário de suspenderem as grandes aplicações de recursos em expansões, optaram por ações de baixo custo e de retorno imediato. Assim, através de um planejamento estratégico alinhado, têm conseguido não só afastar os problemas, mas crescer para abraçar um futuro mais próspero.

Os micros e pequenos negócios empregam, segundo dados do Sebrae e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, mais de 13 milhões de pessoas no País. Ver esse universo ser atingido pela crise é assistir a um golpe duro na geração de empregos do Brasil. E muitos dos meios para evitar esse cenário estão justamente nas mãos dos empresários. Mesmo vendo o crédito mais escasso, em face de uma procura maior pelas linhas de financiamento nacionais por empresas de grande porte que perderam suas fontes internacionais, muitas microempresas têm incrementado a relação com seus clientes e formatado investimentos que visam melhorar ainda mais esse relacionamento.

“Toda crise impõe uma mudança de paradigmas, mesmo em quem não está sofrendo com seus efeitos. É o momento de rever processos. As oportunidades criadas em momentos como o atual dependem da diferenciação dos serviços e produtos oferecidos pelas empresas”, analisa o professor de finanças do Centro de Desenvolvimento e Planejamento do IBMEC no Recife, Gilberto Braga. Atingir esse diferencial competitivo é tarefa da gestão do negócio. Estudar a estrutura de fornecimento dos insumos utilizados pela empresa e rever os estoques são algumas das medidas de impacto, menciona o analista da Tendências Consultoria, André Sacconato.

Políticas de Recursos Humanos também se mostram mais urgentes. Primeiro, transparência sobre a situação da empresa. Mostrar com clareza aos funcionários como anda o negócio e o que precisa ser feito para resolver os problemas promove uma maior integração na equipe e comprometimento dos trabalhadores. Investir na capacitação e na qualificação do quadro funcional deve encabeçar a lista de ações nesse segmento. Sem falar na inovação. É hora de tirar da gaveta aquela promoção, parceria ou até mesmo ação de marketing, desde que definida e traçada para atingir os objetivos certos.

A história mostra que os micros e pequenos negócios que enfrentaram crises de impactos bem maiores em suas estruturas conseguiram se manter crescendo nos anos seguintes. “Já observamos épocas tão mais aterrorizantes, como nos Planos Cruzado, Bresser e Collor. Inovação e trabalho enfrentam qualquer adversidade”, resume o presidente da Confederação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Comicro), José Tarcísio da Silva.

Autônomos vão acirrar concorrência

Não é difícil imaginar um ambiente de relações de consumo onde a população encontre suas demandas por produtos e serviços de qualidade atendidas e, por conseguinte, as micros e pequenas empresas que estejam envolvidas nesse processo assistam a um desenvolvimento econômico sólido, baseado em clientela fiel, gestão com foco nos resultados e concorrência saudável. E as mudanças na legislação brasileira referente aos pequenos negócios nos últimos anos têm ajudado a tornar esse cenário mais real.

A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas corrigiu algumas distorções nas relações entre negócios de menor porte e grandes empresas, como na concorrência por compras governamentais. E a criação do Microempreendedor Individual (MEI), a mais recente alteração na lei, ocorrida em dezembro de 2008, caminha para promover uma grande mudança em prol da formalização no Brasil.

Contemplados com encargos menores, autônomos de diversos segmentos da economia poderão se regularizar e desfrutar dos seus direitos trabalhistas. E em épocas de turbulência, podem conseguir abocanhar bons pedaços do mercado consumidor. “Tudo depende da criativade do empreendedor. A expectativa é formalizar 10,5 milhões de trabalhadores no País”, enfatiza José Tarcísio da Silva. Um bom número para combater a crise.

 
Fonte: Jornal do Commercio
 
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